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CANTIM DA PNEUMO 2026- PARTE I

  • Foto do escritor: Dylvardo Costa Lima
    Dylvardo Costa Lima
  • há 8 minutos
  • 4 min de leitura

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Segurança de pandemia precisa de lideranças nacionais

 

Editorial publicado na Science em 11/12/2025, onde pesquisadores suíços afirmam que o investimento sustentado da OMS na preparação de pandemias não é opcional, é uma pedra angular da estabilidade econômica, da confiança pública e da segurança global.

 

Em um mundo que enfrenta riscos crescentes de conflitos, mudanças climáticas e doenças infecciosas emergentes, os sistemas de saúde são a primeira linha de defesa para proteger as pessoas, as economias e a estabilidade global. Embora a preparação para a pandemia seja frequentemente enquadrada como um esforço global, a prontidão só pode ser realizada com sucesso através de fortes abordagens nacionais, que trabalham ao lado de estratégias globais. As ferramentas e redes já existem para ajudar os países a conseguirem isso. O que resta é o compromisso sustentado dos governos, de financiar e implementar essas ferramentas.

 

A ameaça de outra pandemia não é teórica. A urbanização rápida, a disrupção ecológica, a mobilidade humana, a disseminação climática de organismos que transmitem doenças, e o risco de patógenos que se derramam de animais para humanos, estão convergindo para aumentar o risco de surtos em todo o mundo. Por exemplo, a gripe aviária H5N1 está infectando novas espécies animais e, ocasionalmente, humanos; os primeiros surtos do vírus de Marburg na Etiópia e Ruanda, foram relatados este ano; e nos últimos 2 anos, a Europa Ocidental viu transmissão sem precedentes de vírus da dengue e chikungunya.

 

Desde o pico da pandemia de COVID-19, os governos reduziram os investimentos em saúde pública, enquanto aumentam os gastos militares com defesa. Essas reduções são míopes. Os governos devem incorporar a preparação em seus sistemas de saúde. Uma mudança para a prontidão contínua, liderada pelo governo, é fundamental para a estabilidade nacional. Em 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou a estrutura de Preparação, Resposta e Resiliência a Emergências em Saúde (HEPR), para apoiar essa mudança em cinco áreas-chave: vigilância, atendimento clínico, proteção de comunidades, acesso a contramedidas médicas e operações de emergência. Embora a OMS forneça orientação baseada em evidências, coordenação global e suporte técnico, cada país deve traduzir estratégias de prevenção e controle, em eficácia operacional.

 

A COVID-19 demonstrou o valor do investimento nacional sustentado nas capacidades do HEPR. Países com fortes sistemas de resposta a emergências poderiam agir rapidamente, porque aprenderam com surtos anteriores. Por exemplo, as nações afetadas pela síndrome respiratória aguda grave (SARS) em 2002-2003, ativaram rapidamente operações de emergência, vigilância e sistemas de surto hospitalar, quando o SARS-CoV-2 surgiu.

 

Da mesma forma, os países da África Ocidental estavam mais bem posicionados para mobilizar testes, rastreamento de contatos e sistemas de isolamento, por causa de sua experiência com o vírus Ebola. Embora a OMS tenha emitido alertas globais e orientação técnica dentro de dias dos primeiros casos de COVID-19 no início de 2020, uma forte liderança nacional, permitiu o rastreamento precoce de contatos, testes de diagnóstico direcionados, vigilância genômica e cuidados clínicos de suporte, impedindo que os sistemas de saúde fossem sobrecarregados.

 

Além disso, muitos países agora operam centros de operação de emergência com riscos, dentro das agências nacionais de saúde pública. Estes integram a vigilância de doenças, logística de contramedida médica e cuidados clínicos, e coordenam parcerias, incluindo aquelas para desastres, como inundações e terremotos. Em paralelo, muitos governos estabeleceram agências nacionais de saúde pública ou centros de controle de doenças, para trabalhar ao lado de ministérios da saúde. Com orientação da OMS e apoio à capacitação, essas instituições desempenham um papel crítico, na detecção precoce de surtos e na prevenção de eventos localizados, de se tornarem crises globais.

 

A importância econômica da preparação é inegável. A COVID-19 causou uma perda econômica global estimada em mais de US$ 16 trilhões em 2020. Em contrapartida, o custo anual para construir e manter capacidades essenciais de preparação é uma fração desse valor, estimado pelo Banco Mundial entre US$ 10 e 11 bilhões por ano. Ainda assim, financiar a preparação continua sendo um desafio. Mecanismos globais, como o Fundo para Pandemias, criado em 2022 pela OMS e pelo Banco Mundial, destinaram mais de US$ 1,385 bilhão a países de baixa e média-baixa renda, para suprir lacunas críticas de capacidade. Além disso, o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a OMS incorporaram a preparação ao Fundo Fiduciário para Resiliência e Sustentabilidade, de US$ 60 bilhões, que oferece financiamento acessível e de longo prazo para a preparação de uma nova pandemia.

 

A OMS fornece capacidade essencial de resposta a surtos e coordenação transfronteiriça, mas esses esforços complementam, e não substituem, as capacidades nacionais. Os países também têm acesso a parcerias técnicas, como a Rede Global de Alerta e Resposta a Surtos (GOART), criada em 2020, que conecta instituições de pesquisa, universidades e organizações de saúde, para fornecer conhecimento especializado e apoio operacional. O Corpo Global de Emergências de Saúde foi lançado pela OMS em 2023, para fortalecer a prontidão da força de trabalho por meio de treinamento e mobilização. No entanto, a preparação sustentada depende, em última análise, de investimentos nacionais em equipes médicas de emergência, profissionais de saúde pública e agentes comunitários de saúde, bem como de esforços de construção de confiança, desenvolvidos em conjunto com líderes locais e a sociedade civil.

 

Em última análise, a preparação nacional é uma escolha estratégica. O Acordo de Pandemia da OMS 2025 e a regulamentação internacional de saúde, sinalizam um compromisso político crescente com a responsabilidade global compartilhada. Porém, a vontade política por si só não é suficiente. O investimento sustentado na preparação não é opcional, é uma pedra angular da estabilidade econômica, da confiança pública e da segurança global.

 


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